Tucanos desrespeitam a região e adiam projetos da ponte e do VLT
Mal posso acreditar: depois de todo o estardalhaço, das dezenas de reuniões, dos prazos anunciados, das audiências públicas e de muitas certezas, o Governo do Estado recua e põe um fim ao que julgávamos ser sério: a implantação do sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e a construção da ponte estaiada Santos-Guarujá.
Sem qualquer constrangimento, o governador tucano de São Paulo anuncia, com a maior desfaçatez, que os dois empreendimentos ficarão para o seu sucessor. Sim, para aquele, não sabemos quem, que será eleito em 3 de outubro, assumirá em 1º de janeiro e, sabe-se lá quando, terá condições, oportunidade ou desejo político de tocar os dois projetos.
É desesperador pensar que vamos começar do zero. No caso do VLT, a promessa vem sendo feita há mais de 10 anos! Em 2002, eu já denunciava a lentidão na implantação e demonstrava que, de tempos em tempos, surgiam fatos novos para retardar cada vez mais ou inviabilizar a concretização do sistema.
Minhas palavras à época, lamentavelmente, continuam atuais. “Quando parece que a coisa vai fluir, surge um novo entrave”, dizia eu, sem imaginar que teria razões para repetir a mesma frase tantos anos depois.
Desde então, a realidade regional só piorou. Mais do que nunca, a Baixada Santista necessita de um transporte de massa, moderno, eficiente e de custo acessível. Um transporte integrado e integrador, que contribua para que a Região Metropolitana saia efetivamente do papel.
Sem que a novela do VLT chegasse aos seus capítulos finais, o governo tucano veio a público com mais uma promessa espetaculosa: a construção do túnel Santos-Guarujá. No final de janeiro de 2009, o então governador afirmou que a licitação seria lançada naquele semestre e as obras começariam até o final do ano. Já se sabia até quanto custaria – R$ 450 milhões. Foi também anunciado que a opção era mais barata do que a uma ponte, porque esta exigiria uma rampa de aproximação muito longa.
Mal dá para acreditar, mas menos de quatro meses depois, em maio de 2009, o mesmo governo veio a público revelar que a ligação entre as cidades de Santos e Guarujá seria feita por meio de uma ponte estaiada, e não mais por um túnel. A possibilidade da construção de um túnel submerso, que atravessaria o Canal do Estuário, foi definitivamente descartada.
O argumento é que o túnel se tornara inviável em razão de custos e prazos envolvidos. O Estado já começara, então, a contratar a elaboração do projeto básico da ponte. Valor da obra – R$ 500 milhões – com prazo de construção de 30 meses.
Desde então, tudo o que o Governo do Estado conseguiu foi engordar o valor do investimento. A previsão de custo foi elevada para R$ 700 milhões, sem que uma única estaca tenha sido fincada. Tudo o que o Estado fez foi inaugurar uma maquete da obra, como se maquete fosse algo que se inaugure.
Nem mesmo o projeto básico ficou pronto. Primeiro, a data de apresentação seria 30 de abril. Vencido o prazo, nova data foi anunciada – 31 de maio – igualmente não cumprida. Eu vinha insistindo em cobrar o tal projeto, até que o governador veio a público, nos últimos dias, fazer o anúncio que tanto chocou: ponte e VLT ficarão para o próximo governador.
Enfim, guardemos as ilusões e a expectativa. Falta seriedade e sobram promessas, factóides e enganação. Nossa região foi desrespeitada, afrontada, ultrajada. Não dá para aceitar.
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